Shell Scripting Prático: Funções, Arrays e Técnicas de Operação com Arquivos
O que você vai conseguir fazer
- Dividir o trabalho em funções com variáveis locais e arrays reutilizáveis
- Escrever scripts que param na falha usando `set -euo pipefail` e `trap`
- Executar scripts de backup, monitoramento de log e organização de arquivos sem destruir dados
Pré-requisitos (leia estes primeiro)
Depois de dominar os fundamentos de shell scripting, é hora de construir habilidades avançadas práticas. Este guia cobre funções, arrays, operações com arquivos e tratamento de erros. No final, apresenta três scripts prontos para uso.
Termos usados neste artigo (definidos antes de começar)
- Função: um bloco de trabalho com nome, para não repetir os mesmos passos duas vezes
- Variável local: uma variável que existe apenas dentro da função. Declare com
local. Semlocal, ela vira uma variável global compartilhada por todo o script - Array: vários valores em uma única variável, acessados por índice como em
${arr[0]} - Array associativo: um array indexado por texto em vez de número. Também chamado de hash ou dicionário. Disponível a partir do Bash 4.0
- Código de saída: o número que um comando retorna ao terminar.
0significa sucesso; qualquer outro valor, falha. Também chamado de status de saída - Modo estrito: o apelido de
set -euo pipefail, o conjunto de opções que interrompe o script em vez de deixar uma falha passar trap: o mecanismo que registra o que executar quando algo acontece, como um erro ou o fim do script- Subshell: um processo de shell separado, derivado do shell pai. Variáveis alteradas dentro dele não voltam para fora
O Que Você Vai Aprender
- Como definir funções com variáveis locais, valores de retorno e tratamento de erros
- Como criar e manipular arrays indexados e associativos
- Técnicas para ler arquivos linha por linha, escrever saída e processar dados CSV
- Como
set -euo pipefailetrapconstroem tratamento robusto de erros em scripts - Três scripts de automação do mundo real: backup do sistema, monitoramento de logs e organizador de arquivos
Funções
Conclusão: Em funções: local para escopo, echo para retornar valores, return 1 para sinalizar erros.
Definindo e Chamando Funções
Função Básica
$1 é o primeiro argumento passado à função; $2 é o segundo.
#!/bin/bash
greet() {
echo "Ola, $1!"
}
greet "Alice"
greet "Bob"Ola, Alice! Ola, Bob!
Função com Valor de Retorno
Uma função de shell não devolve valores como em outras linguagens. O return carrega apenas um código de saída entre 0 e 255. Para devolver um valor, use echo e capture com $(nome_da_funcao) no ponto de chamada.
#!/bin/bash
square() {
local num=$1
local result=$((num * num))
echo $result
}
number=5
result=$(square $number)
echo "Quadrado de $number e $result"Função com Múltiplos Argumentos
#!/bin/bash
file_info() {
local filepath=$1
if [ -f "$filepath" ]; then
echo "Arquivo: $filepath"
echo "Tamanho: $(wc -c < "$filepath") bytes"
echo "Linhas: $(wc -l < "$filepath") linhas"
echo "Ultima modificacao: $(stat -c %y "$filepath")"
else
echo "Arquivo $filepath nao existe"
return 1
fi
}
file_info "/etc/passwd"
file_info "nonexistent.txt"Funções Avançadas
Variáveis Locais vs Globais
#!/bin/bash
global_var="global"
demo_scope() {
local local_var="local"
global_var="global modificado"
echo "Dentro da funcao: local_var = $local_var"
echo "Dentro da funcao: global_var = $global_var"
}
echo "Antes da chamada: global_var = $global_var"
demo_scope
echo "Apos a chamada: global_var = $global_var"
echo "Fora da funcao: local_var = $local_var" # vazioFunção Recursiva
#!/bin/bash
factorial() {
local n=$1
if [ $n -le 1 ]; then
echo 1
else
local prev=$(factorial $((n - 1)))
echo $((n * prev))
fi
}
for i in {1..5}; do
result=$(factorial $i)
echo "$i! = $result"
doneFunção com Tratamento de Erros
#!/bin/bash
safe_mkdir() {
local dir_path=$1
if [ -z "$dir_path" ]; then
echo "Erro: caminho do diretorio nao especificado" >&2
return 1
fi
if [ -d "$dir_path" ]; then
echo "Diretorio $dir_path ja existe"
return 0
fi
if mkdir -p "$dir_path" 2>/dev/null; then
echo "Diretorio $dir_path criado"
return 0
else
echo "Erro: falha ao criar diretorio $dir_path" >&2
return 1
fi
}
safe_mkdir "/tmp/test_dir"
safe_mkdir "/root/forbidden" # exemplo de erro de permissaoArrays
Conclusão: "${arr[@]}" para expansão segura; declare -A para arrays associativos (Bash 4.0+).
Operações Básicas com Arrays
Criando Arrays e Acessando Elementos
#!/bin/bash
fruits=("apple" "banana" "orange" "grape")
numbers=(1 2 3 4 5)
echo "Primeira fruta: ${fruits[0]}"
echo "Terceiro numero: ${numbers[2]}"
echo "Todas as frutas: ${fruits[@]}"
echo "Numero de frutas: ${#fruits[@]}"Adicionando e Removendo Elementos
#!/bin/bash
colors=("red" "green" "blue")
echo "Array inicial: ${colors[@]}"
colors+=("yellow")
echo "Apos adicao: ${colors[@]}"
unset 'colors[1]' # remover "green" (sem aspas pode ser expandido como nome de arquivo)
echo "Apos exclusao: ${colors[@]}"
echo "Indices: ${!colors[@]}"Array inicial: red green blue Apos adicao: red green blue yellow Apos exclusao: red blue yellow Indices: 0 2 3
Depois do unset, os índices ficam esparsos: o 1 desaparece. O ${#colors[@]} vale 3, mas o ${colors[1]} está vazio. Percorrer por número pula o vão, então itere com "${colors[@]}" ou "${!colors[@]}".
Arrays Associativos (Bash 4.0+)
#!/bin/bash
declare -A person
person["name"]="John Smith"
person["age"]="30"
person["city"]="New York"
echo "Nome: ${person["name"]}"
echo "Idade: ${person["age"]}"
echo "Todas as chaves: ${!person[@]}"Nome: John Smith Idade: 30 Todas as chaves: city age name
A ordem das chaves de um array associativo não é garantida e não tem relação com a ordem de definição. Quando a ordem importa, mantenha um array separado de chaves ou passe por sort.
Uso Prático de Arrays
#!/bin/bash
log_patterns=("/var/log/*.log" "/tmp/*.log" "$HOME/*.log")
for pattern in "${log_patterns[@]}"; do
echo "Padrao: $pattern"
files=($pattern)
if [ ${#files[@]} -gt 0 ] && [ -f "${files[0]}" ]; then
for file in "${files[@]}"; do
if [ -f "$file" ]; then
size=$(wc -c < "$file")
echo " - $file ($size bytes)"
fi
done
else
echo " - Nenhum arquivo correspondente"
fi
doneOperações com Arquivos
Conclusão: IFS= read -r + redirecionamento, não pipe -- variáveis do loop sobrevivem fora do loop.
Lendo e Escrevendo Arquivos
Vários Métodos de Leitura de Arquivo
#!/bin/bash
filename="data.txt"
# Metodo 1: usando while read
while IFS= read -r line || [ -n "$line" ]; do
echo "Linha: $line"
done < "$filename"
# Metodo 2: ler em array
mapfile -t lines < "$filename"
for i in "${!lines[@]}"; do
echo "Linha $((i+1)): ${lines[i]}"
doneEscrevendo em Arquivos
#!/bin/bash output_file="output.txt" echo "Novo conteudo do arquivo" > "$output_file" echo "Linha adicional 1" >> "$output_file" cat << EOF >> "$output_file" Texto multi-linha Linha 2 Linha 3 EOF cat "$output_file"
Processando Arquivos CSV
#!/bin/bash
csv_file="employees.csv"
cat << EOF > "$csv_file"
Nome,Idade,Departamento
Alice,30,Engenharia
Bob,25,Vendas
Carol,35,Gerencia
EOF
tail -n +2 "$csv_file" | while IFS=',' read -r name age dept; do
echo "Funcionario: $name (idade $age) - $dept"
doneFuncionario: Alice (idade 30) - Engenharia Funcionario: Bob (idade 25) - Vendas Funcionario: Carol (idade 35) - Gerencia
Este exemplo não altera variáveis do lado direito do pipe, então o problema da subshell não se aplica. Se precisar levar um total para fora do laco, troque por redirecionamento.
Exemplo Avançado de Operação com Arquivos
#!/bin/bash
source_dir="/path/to/source"
backup_dir="/path/to/backup"
backup_files() {
local src="$1"
local dest="$2"
if [ ! -d "$src" ]; then
echo "Erro: diretorio de origem nao existe: $src"
return 1
fi
mkdir -p "$dest"
rsync -av --delete "$src/" "$dest/"
echo "Backup completo: $src -> $dest"
}
log_file="/tmp/backup.log"
{
echo "Backup iniciado: $(date)"
backup_files "$source_dir" "$backup_dir"
echo "Backup finalizado: $(date)"
} >> "$log_file" 2>&1rsync --delete apaga arquivos no destino
O --delete remove do destino tudo o que não existe na origem. Aponte para a origem errada e os dados do destino desaparecem. Uma origem vazia esvazia o destino.
O rsync também muda de sentido com a barra final. rsync -a src/ dest/ coloca o conteúdo de src dentro de dest. rsync -a src dest/ coloca o próprio diretório src dentro de dest.
A forma segura
- Execute antes com
--dry-rune leia o que seria apagado:rsync -av --delete --dry-run "$src/" "$dest/" - Confirme que o diretório de origem existe e não está vazio antes da execução real
- Para preservar os arquivos substituídos, use
--backup --backup-dir=em vez de--delete
Tratamento de Erros
Conclusão: Inicie scripts de produção com set -euo pipefail e trap em ERR para falhar rápido.
Melhores Práticas de Tratamento de Erros
Tratamento Estrito de Erros com Opções set
O set -euo pipefail ativa três opções de uma vez. Todas existem para impedir que o script siga adiante depois de uma falha que ninguém percebeu.
#!/bin/bash set -euo pipefail # set -e: sair imediatamente quando um comando falha # set -u: erro em variaveis indefinidas # set -o pipefail: erro se qualquer comando em um pipeline falhar trap 'echo "Erro ocorrido: linha $LINENO" >&2' ERR echo "Processamento normal 1"
Verificação Manual de Erros
#!/bin/bash
process_file() {
local filename="$1"
if [ ! -f "$filename" ]; then
echo "Erro: arquivo '$filename' nao encontrado" >&2
return 1
fi
if [ ! -r "$filename" ]; then
echo "Erro: sem permissao de leitura para '$filename'" >&2
return 1
fi
local line_count
if ! line_count=$(wc -l < "$filename" 2>/dev/null); then
echo "Erro: falha ao contar linhas" >&2
return 1
fi
echo "Contagem de linhas de '$filename': $line_count"
return 0
}
if process_file "test.txt"; then
echo "Processamento concluido com sucesso"
else
echo "Processamento falhou"
exit 1
fiTratamento de Erros com Logging
#!/bin/bash
LOG_FILE="/tmp/script.log"
log() {
local level="$1"
shift
local message="$*"
local timestamp=$(date '+%Y-%m-%d %H:%M:%S')
echo "[$timestamp] [$level] $message" | tee -a "$LOG_FILE"
}
handle_error() {
local exit_code=$?
local line_no=$1
log "ERROR" "Script encerrou com erro (codigo de saida: $exit_code, linha: $line_no)"
exit $exit_code
}
trap 'handle_error $LINENO' ERR
log "INFO" "Script iniciado"
log "INFO" "Script finalizado"Exemplos de Scripts do Mundo Real
Conclusão: Backup, monitor de log, organizador -- três scripts sobre funções, arrays e erros.
Exemplo 1: Script de Backup do Sistema
#!/bin/bash
set -euo pipefail
BACKUP_ROOT="/backup"
LOG_FILE="/var/log/backup.log"
RETENTION_DAYS=7
DATE=$(date +%Y%m%d_%H%M%S)
BACKUP_DIRS=(
"/etc"
"/home"
"/var/www"
"/usr/local/bin"
)
log() {
echo "[$(date '+%Y-%m-%d %H:%M:%S')] $*" | tee -a "$LOG_FILE"
}
cleanup() {
log "Removendo backups antigos"
find "$BACKUP_ROOT" -type f -name "backup_*.tar.gz" -mtime +$RETENTION_DAYS -delete
log "Backups antigos removidos"
}
main_backup() {
local backup_file="$BACKUP_ROOT/backup_$DATE.tar.gz"
log "Iniciando backup: $backup_file"
mkdir -p "$BACKUP_ROOT"
if tar -czf "$backup_file" "${BACKUP_DIRS[@]}" 2>/dev/null; then
local size=$(du -h "$backup_file" | cut -f1)
log "Backup bem-sucedido: $backup_file (tamanho: $size)"
else
log "Erro: falha na criacao do backup"
exit 1
fi
}
if [ "$(id -u)" -ne 0 ]; then
echo "Este script deve ser executado como root"
exit 1
fi
log "Backup do sistema iniciado"
main_backup
cleanup
log "Backup do sistema concluido"Rode um script que apaga uma vez com a exclusão desligada
O find ... -delete dentro de cleanup() remove arquivos sem perguntar. Erre o BACKUP_ROOT e ele remove arquivos de um diretório sem relação nenhuma.
Como adotar com segurança
- Troque
-deletepor-printe leia a lista de alvos - Volte para
-deletesomente quando essa lista for a pretendida - Mantenha o filtro
-name "backup_*.tar.gz". Sem ele, o conjunto de alvos cresce muito - Comece com um
RETENTION_DAYSgeneroso (90, por exemplo), confirme o comportamento e só então reduza
O find avalia a expressão da esquerda para a direita. Se o -delete vier antes das condições, elas não se aplicam e tudo abaixo do ponto de partida é apagado. Escreva -name e afins antes do -delete.
Exemplo 2: Script de Monitoramento de Logs
#!/bin/bash
set -euo pipefail
LOG_FILE="/var/log/syslog"
ALERT_PATTERNS=("ERROR" "CRITICAL" "FAILED")
CHECK_INTERVAL=10
LAST_CHECK_FILE="$HOME/.log_monitor_last_check" # diretorio home e mais seguro que caminho previsivel em /tmp
send_alert() {
local message="$1"
local timestamp=$(date '+%Y-%m-%d %H:%M:%S')
echo "[$timestamp] ALERTA: $message" >> "/var/log/alerts.log"
logger "LOG_MONITOR_ALERT: $message"
}
monitor_logs() {
local last_position=0
if [ -f "$LAST_CHECK_FILE" ]; then
last_position=$(cat "$LAST_CHECK_FILE")
fi
local current_size=$(wc -c < "$LOG_FILE")
if [ "$current_size" -gt "$last_position" ]; then
local new_lines=$(tail -c +$((last_position + 1)) "$LOG_FILE")
for pattern in "${ALERT_PATTERNS[@]}"; do
if echo "$new_lines" | grep -q "$pattern"; then
local matches=$(echo "$new_lines" | grep "$pattern")
send_alert "Padrao detectado '$pattern': $matches"
fi
done
echo "$current_size" > "$LAST_CHECK_FILE"
fi
}
echo "Iniciando monitor de log: $LOG_FILE"
while true; do
monitor_logs
sleep "$CHECK_INTERVAL"
doneExemplo 3: Script Organizador de Arquivos
#!/bin/bash
set -euo pipefail
SOURCE_DIR="$HOME/Downloads"
ORGANIZE_ROOT="$HOME/Organized"
LOG_FILE="/tmp/file_organizer.log"
declare -A FILE_TYPES=(
["pdf"]="Documents/PDF"
["doc,docx"]="Documents/Word"
["jpg,jpeg,png,gif"]="Images"
["mp4,avi,mov"]="Videos"
["zip,rar,7z,tar,gz"]="Archives"
)
log() {
echo "[$(date '+%Y-%m-%d %H:%M:%S')] $*" | tee -a "$LOG_FILE"
}
get_file_type() {
local filename="$1"
local extension="${filename##*.}"
extension=$(echo "$extension" | tr '[:upper:]' '[:lower:]')
for types in "${!FILE_TYPES[@]}"; do
if [[ ",$types," == *",$extension,"* ]]; then
echo "${FILE_TYPES[$types]}"
return 0
fi
done
echo "Others"
}
organize_files() {
log "Iniciando organizacao de arquivos: $SOURCE_DIR"
if [ ! -d "$SOURCE_DIR" ]; then
log "Erro: diretorio de origem nao existe: $SOURCE_DIR"
exit 1
fi
local file_count=0
while IFS= read -r -d '' file; do
if [ -f "$file" ]; then
local file_type=$(get_file_type "$(basename "$file")")
local dest_dir="$ORGANIZE_ROOT/$file_type"
mkdir -p "$dest_dir"
if [ -e "$dest_dir/$(basename "$file")" ]; then
log "Ignorado (ja existe arquivo com esse nome): $(basename "$file")"
continue
fi
mv "$file" "$dest_dir/"
log "Movido: $(basename "$file") -> $file_type/"
file_count=$((file_count + 1))
fi
done < <(find "$SOURCE_DIR" -maxdepth 1 -type f -print0)
log "Organizacao completa: $file_count arquivos processados"
}
organize_filesO mv sobrescreve um arquivo de mesmo nome sem avisar
Se já existir um arquivo com o mesmo nome no destino, o mv o sobrescreve em silencio. O script acima verifica com [ -e ... ] antes de mover, ignora o arquivo e registra isso no log.
O mv -n (--no-clobber) também evita a sobrescrita, mas tenha cuidado ao usá-lo em script: as versões recentes do GNU coreutils (9.x) retornam código de saída 1 ao ignorar, então com set -e uma única colisão de nome interrompe a execução inteira. Para manter as duas copias, remova o -n e use mv --backup=numbered (--backup e -n são mutuamente exclusivos).
Na primeira execução, troque mv por echo mv e leia para onde cada arquivo iria. Depois que os arquivos são reorganizados, devolvê-los ao lugar original é trabalhoso.
Erros Comuns e Armadilhas
Conclusão: Cinco armadilhas -- expansão, escopo, subshell, erros, segurança -- cada uma evitável.
Erro 1: Uso Incorreto de Arrays
NG (dividido por espaços)
files=("file1.txt" "file 2.txt" "file3.txt")
for file in $files; do # dividido por espacos
echo $file
doneOK (expansão correta)
files=("file1.txt" "file 2.txt" "file3.txt")
for file in "${files[@]}"; do # expandir como array
echo "$file"
doneUse "${array[@]}" para expandir o array completo com segurança.
Erro 2: Mal-entendido do Escopo de Funções
NG (variável global modificada sem intenção)
counter=0
increment() {
counter=$((counter + 1)) # modifica variavel global
local result=$counter
echo $result
}
increment
echo "Contador global: $counter" # mudanca nao intencionalOK (gerenciamento adequado de escopo)
global_counter=0
increment() {
local local_counter=$1
local_counter=$((local_counter + 1))
echo $local_counter
}
result=$(increment $global_counter)
global_counter=$resultErro 3: Armadilha de Modificação de Variável em Pipeline
NG (mudanças de variável não refletidas)
O lado direito de um pipe roda em uma subshell, um processo separado. As variáveis alteradas ali voltam ao valor anterior assim que o pipeline termina.
count=0
cat file.txt | while IFS= read -r line; do
count=$((count + 1))
done
echo "Linhas: $count" # permanece 0 (executa em subshell)OK (usar redirecionamento)
count=0
while IFS= read -r line; do
count=$((count + 1))
done < file.txt
echo "Linhas: $count" # contado corretamente
# ou
count=$(wc -l < file.txt)Erro 4: Tratamento de Erros Ausente
NG (erros em cascata)
cp source.txt backup.txt rm source.txt # deleta mesmo se a copia falhou curl -o data.json http://api.example.com/data process_data data.json # continua mesmo se o download falhou
OK (tratamento robusto de erros)
set -euo pipefail
if cp source.txt backup.txt; then
echo "Backup bem-sucedido"
rm source.txt
else
echo "Erro: backup falhou" >&2
exit 1
fiErro 5: Implementação Sem Consciência de Segurança
NG (problemas de segurança)
O eval executa como comando qualquer texto que receba. Se o usuário digitar rm -rf ~, é exatamente isso que roda. Um arquivo temporário de nome previsível deixa espaço para outra pessoa criá-lo antes (ataque por link simbólico). Uma senha escrita na linha de comando aparece na saída do ps e no histórico do shell.
read -p "Digite o comando: " user_command eval $user_command # execucao arbitraria de comando (perigoso) temp_file="/tmp/script_data.txt" # nome de arquivo previsivel echo "dados sensiveis" > $temp_file mysql -u user -p'password123' -e "SELECT * FROM users" # visivel na saida do ps e no historico do shell
OK (implementação segura)
# validar entrada
read -p "Digite o nome do arquivo: " filename
if [[ "$filename" =~ ^[a-zA-Z0-9._-]+$ ]]; then
echo "Processando: $filename"
else
echo "Erro: nome de arquivo invalido" >&2
exit 1
fi
# criacao segura de arquivo temporario
temp_file=$(mktemp)
trap 'rm -f "$temp_file"' EXIT
# mantenha as credenciais em um arquivo de configuracao, fora da linha de comando
# ~/.my.cnf (proteja com chmod 600)
# [client]
# user=appuser
# password=...
mysql --defaults-extra-file="$HOME/.my.cnf" -e "SELECT * FROM users"Erro 6: Implementação Sem Consciência de Desempenho
NG (processamento ineficiente)
for file in /path/to/large/directory/*; do
wc -l "$file" # cria um novo processo por arquivo
done
for i in {1..1000}; do
current_time=$(date +%s) # executa o comando date em cada iteracao
echo "Processando $i em $current_time"
doneOK (implementação eficiente)
# processamento em lote para eficiencia
find /path/to/large/directory -name "*" -type f -exec wc -l {} +
# buscar uma vez, reutilizar
start_time=$(date +%s)
for i in {1..1000}; do
current_time=$((start_time + i))
echo "Processando $i em $current_time"
doneMelhores Práticas
Conclusão: Bash em produção: nomes claros, entrada validada, mktemp, set -x e ShellCheck.
Padrões de Codificação
- Use nomes de variáveis significativos
- Mantenha funções focadas em uma única responsabilidade
- Comente para esclarecer intenção, não mecânica
- Use indentação consistente (2 espaços recomendado)
Segurança
- Sempre valide a entrada do usuário
- Use
mktemppara arquivos temporários: o nome não pode ser previsto nem ocupado de antemão - Defina permissões mínimas necessárias
- Nunca escreva senhas ou tokens diretamente no script
Depuração
- O
set -ximprime cada comando conforme ele é executado - Implemente logging apropriado
- Desenvolva e teste incrementalmente
- Use ferramentas de analise estática como o ShellCheck. Elas apontam construções propensas a acidente, como aspas faltando, antes de qualquer execução
Resumo
Dominar técnicas práticas de shell scripting permite automação eficiente e confiável. Em qualquer script que destrua algo, confirme os alvos com --dry-run ou -print antes da execução real.
- Funções melhoram a reutilização e manutenção do código
- Arrays simplificam o processamento complexo de dados
- Tratamento adequado de erros cria scripts robustos
- Exemplos do mundo real fornecem padrões que você pode adaptar para produção