Criando Particoes e Sistemas de Arquivos - fdisk e mkfs

Criando Particoes e Sistemas de Arquivos - fdisk e mkfs

O Que Voce Vai Conquistar

  • Explicar a diferenca entre MBR e GPT e como escolher
  • Criar particoes com fdisk / gdisk / parted
  • Criar sistemas de arquivos ext4 / xfs / vfat com a familia mkfs
  • Construir uma area de swap com mkswap e swapon
  • Inspecionar o estado do disco com precisao usando lsblk / blkid / partprobe

Este e o nucleo do objetivo 104.1 do LPIC-1 "Criar particoes e sistemas de arquivos". Cobre o fluxo completo de dividir um disco e torna-lo utilizavel.

O Que Voce Decide Primeiro?

A primeira decisao e "MBR ou GPT", porque isso muda qual ferramenta de edicao de particoes voce usa. Escolha GPT para discos maiores que 2TB ou quando precisar de mais de quatro particoes primarias.

Para tornar um disco utilizavel, normalmente voce passa por tres etapas. Pular a ordem significa que nao conseguira montar.

Etapa Operacao Comandos tipicos
1. Particionar Dividir o disco em regioes fdisk / gdisk / parted
2. Criar sistema de arq. Formatar cada regiao mkfs.ext4 / mkfs.xfs / mkswap
3. Montar Anexar uma regiao a um diretorio mount (fora do escopo aqui)

Uma particao sozinha ainda nao pode armazenar dados. Se voce esquecer de criar um sistema de arquivos com mkfs, recebera um erro wrong fs type na etapa de mount.

Como MBR e GPT Diferem?

MBR e o esquema mais antigo com limite de quatro particoes primarias. GPT e o esquema mais novo que suporta discos grandes e muitas particoes.

Item MBR (msdos) GPT
Tamanho max do disco Ate 2TB Acima de 2TB
Particoes primarias Ate 4 128 na pratica
Particao estendida Necessaria (3 primarias + 1 estendida) Nao necessaria
Ferramenta de edicao fdisk gdisk
Ferramenta comum parted (ambos) parted (ambos)

Quando MBR precisa de cinco ou mais regioes, voce cria 3 particoes primarias mais 1 particao estendida, e coloca particoes logicas dentro da estendida. GPT remove essa restricao e trata todas as particoes igualmente.

Passo a Passo

Passo 1: Verificar o layout do disco com lsblk

lsblk
NAME   MAJ:MIN RM  SIZE RO TYPE MOUNTPOINTS
sda      8:0    0   50G  0 disk
├─sda1   8:1    0   49G  0 part /
└─sda2   8:2    0    1G  0 part [SWAP]
sdb      8:16   0   20G  0 disk

lsblk mostra dispositivos de bloco e particoes hierarquicamente. Aqui sdb ainda nao esta particionado (sem filho sdb1). Confundir o nome do dispositivo alvo destroi dados existentes, entao sempre verifique primeiro.

Passo 2: Criar uma particao MBR com fdisk

fdisk /dev/sdb
Command (m for help): n
Partition type
   p   primary (0 primary, 0 extended, 4 free)
   e   extended
Select (default p): p
Partition number (1-4, default 1): 1
First sector (2048-41943039, default 2048):
Last sector, +/-sectors or +/-size{K,M,G,T,P} (default 41943039): +10G

Created a new partition 1 of type 'Linux' and of size 10 GiB.

Command (m for help): w
The partition table has been altered.

Os principais subcomandos do fdisk sao n (new), p (print table), d (delete), t (change type), w (write and quit) e q (quit without saving). Use n para especificar tipo, numero e tamanho, depois confirme com w.

Passo 3: Usar gdisk para GPT, parted para uso geral

gdisk /dev/sdb
parted /dev/sdb mklabel gpt
parted /dev/sdb mkpart primary ext4 1MiB 10GiB
Command (? for help): n
Partition number (1-128, default 1): 1
First sector (...):
Last sector (...): +10G
Current type is 8300 (Linux filesystem)
Command (? for help): w

Discos GPT sao editados interativamente com gdisk. Seu conjunto de operacoes se assemelha ao fdisk, usando n (criar), d (deletar) e w (gravar). parted suporta tanto MBR quanto GPT e pode executar mklabel (criar o tipo de tabela) e mkpart (criar uma particao) em uma linha, tornando-o adequado para scripts.

Passo 4: Recarregar a tabela no kernel com partprobe

partprobe /dev/sdb
lsblk /dev/sdb
NAME   MAJ:MIN RM SIZE RO TYPE MOUNTPOINTS
sdb      8:16   0  20G  0 disk
└─sdb1   8:17   0  10G  0 part

Mesmo apos reescrever a tabela de particoes, um kernel pode ainda manter as informacoes antigas de um disco em uso. partprobe pede ao kernel para reler a tabela de particoes. Confirme com lsblk que o novo sdb1 e reconhecido.

Passo 5: Criar um sistema de arquivos com mkfs

mkfs.ext4 /dev/sdb1
blkid /dev/sdb1
mke2fs 1.46.5 (30-Dec-2021)
Creating filesystem with 2621440 4k blocks and 655360 inodes
Filesystem UUID: 3f29c0a1-...-9b2e4d
Writing superblocks and filesystem accounting information: done

/dev/sdb1: UUID="3f29c0a1-...-9b2e4d" TYPE="ext4"

mkfs.ext4 cria um sistema de arquivos ext4. mkfs.xfs (XFS) e mkfs.vfat (FAT, -F 32 para FAT32) funcionam da mesma forma. mkfs.ext4 internamente chama mke2fs. Apos a criacao, verifique o UUID e o tipo de sistema de arquivos com blkid. O UUID e usado para montagens persistentes em /etc/fstab.

Passo 6: Criar uma area de swap com mkswap

mkswap /dev/sdb2
swapon /dev/sdb2
swapon --show
Setting up swapspace version 1, size = 2 GiB
no label, UUID=8a1f...e07c

NAME      TYPE      SIZE USED PRIO
/dev/sdb2 partition   2G   0B   -2

Uma particao de swap e inicializada com mkswap, nao com mkfs. Ative-a com swapon e desative-a com swapoff. Confirme o swap ativo com swapon --show ou free -h. Note que uma area de swap tambem falha no swapon a menos que voce execute mkswap primeiro.

Como Escolher ext / xfs / vfat / btrfs?

Para um sistema de arquivos Linux de proposito geral, ext4 e um padrao seguro. Use xfs para grande capacidade e alta concorrencia, e vfat para compartilhamento com Windows ou a particao de sistema EFI.

Tipo Comando de criacao Uso principal
ext2 mkfs.ext2 Sem journaling. Volumes pequenos, particoes de boot
ext3 mkfs.ext3 ext2 com journaling
ext4 mkfs.ext4 Padrao para Linux. Grande e confiavel
xfs mkfs.xfs Grande capacidade, alto throughput
vfat mkfs.vfat FAT. Compartilhamento Windows, particao de sistema EFI
btrfs mkfs.btrfs FS mais novo com snapshots e subvolumes

ext2/3/4 sao compativeis por linhagem, com mke2fs como implementacao comum. Note operacionalmente que xfs nao pode ser reduzido uma vez criado (somente crescimento). btrfs e um sistema de arquivos relativamente novo com snapshots e recursos RAID integrados; para o LPIC-1, um entendimento em nivel de visao geral e suficiente.

Solucao de Problemas

Sintoma: mount reporta wrong fs type

Causa: Voce criou a particao mas nao criou um sistema de arquivos com mkfs

Verificacao:

blkid /dev/sdb1

Solucao: Se blkid nao mostra TYPE=, esta nao formatado. Crie um sistema de arquivos com mkfs.ext4 /dev/sdb1 ou similar.

Sintoma: fdisk nao consegue criar uma quinta particao primaria

Causa: MBR e limitado a quatro particoes primarias

Verificacao:

fdisk -l /dev/sdb

Solucao: Crie uma particao estendida e coloque particoes logicas dentro dela. Para evitar o limite completamente, mude para GPT com parted ... mklabel gpt (dados existentes sao perdidos).

Sintoma: Uma particao nao aparece no lsblk

Causa: O kernel mantém a tabela de particoes antiga

Verificacao:

lsblk /dev/sdb

Solucao: Execute partprobe /dev/sdb para que o kernel releia a tabela. Se ainda nao aparecer, reinicie.

Sintoma: swapon falha com Invalid argument

Causa: Voce nao executou mkswap na particao alvo

Verificacao:

blkid /dev/sdb2

Solucao: Inicialize como swap com mkswap /dev/sdb2, depois execute swapon /dev/sdb2.

Lista de Verificacao de Conclusao

  • [ ] Confirmou com lsblk que direcionou o dispositivo correto
  • [ ] Criou a particao com fdisk / gdisk / parted e gravou com w
  • [ ] Recarregou a tabela no kernel com partprobe
  • [ ] Formatou com mkfs.ext4 (ou o mkfs para seu proposito)
  • [ ] Ativou swap com mkswap e depois swapon
  • [ ] Verificou UUID e tipo de sistema de arquivos com blkid

Resumo

Cenario Comando Proposito
Inspecionar lsblk / fdisk -l Entender dispositivos e particoes
Editar MBR fdisk /dev/sdb Edicao interativa com n/p/d/t/w/q
Editar GPT gdisk /dev/sdb Criar particoes GPT
Edicao geral parted ... mklabel/mkpart Scriptavel, ambos os formatos
Aplicar partprobe /dev/sdb Recarregar a tabela
Formatar mkfs.ext4 /dev/sdb1 Criar um sistema de arquivos
Swap mkswap / swapon Construir uma area de swap
Verificar blkid /dev/sdb1 Verificar UUID e tipo de FS

Criar particoes e sistemas de arquivos e o ponto de entrada para tornar um disco utilizavel. Em seguida, prossiga para montar esse sistema de arquivos e torna-lo persistente em /etc/fstab para completar seu entendimento.

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